“Escassez de engenheiros compromete a infraestrutura”, alerta Confea

Brasília, 6 de novembro de 2026.

O setor enfrenta um recuo drástico tanto no ingresso de estudantes quanto no número de concluintes em todo o território nacional, cenário que ameaça as obras e o desenvolvimento socioeconômico brasileiro. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), eng. telecom. Vinicius Marchese. 

“Nos últimos anos, temos observado um desinteresse dos jovens pelas carreiras da área. O reflexo disso é a menor oferta de mão de obra qualificada que entregamos ao mercado, o que afeta diretamente o desenvolvimento do Brasil. Convivemos com uma geração que nasceu na era digital, e os cursos precisam se atualizar”, reforçou Marchese. 

 

Vinicius Marchese: Infraestrutura do país pode ser comprometida pela defasagem de profissionais da área tecnológica verificada nos últimos 15 anos

 



Em 2014, as matrículas atingiram a marca de 503 mil, mas recuaram gradativamente até chegar a 219 mil em 2024 — uma diminuição de 56,46%. No mesmo intervalo, a quantidade de formandos baixou 4,5%, passando de 110 mil para 105 mil. 

A área também lidera o índice de abandono no ensino superior: para cada 100 ingressantes nas faculdades, a média de concluintes é de apenas 38. “Esse gargalo decorre da defasagem no ensino básico, fundamental e médio, principalmente nas disciplinas de exatas, entre elas a matemática. Esse déficit na base educacional prejudica o fornecimento de especialistas técnicos de alto nível para o país”, completou Marchese. 
 

Engenharia em números 
Atualmente, o Sistema Confea/Crea conta com mais de 1,2 milhão de registros ativos. A proporção é de 5,7 profissionais para cada mil habitantes — índice muito inferior ao de países desenvolvidos. Estados Unidos e Japão, por exemplo, dispõem de 25 especialistas para o mesmo grupo de moradores, seguidos por Alemanha (18 por mil) e França (16 por mil). "Quando a gente fala de um país desenvolvido, de uma economia forte, ele demanda esse tipo de alicerce, de material humano. Se a gente conseguir aumentar o número de profissionais no mercado, bons profissionais, o país tem de tudo para ser desenvolvido”, enfatizou Marchese. 


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